20 anos de Histeroscopia na Bahia

Simone Borges Machado

 

O interesse pela histeroscopia data do início do século XX, porém sua concretização foi lenta devido às enormes dificuldades técnicas da época como: a difícil distensão da cavidade uterina, o reduzido espaço interno do útero e a natureza do tecido endometrial sangrante em contato com o endoscópio; sistemas ópticos e fontes de luz rudimentares, sem transmissão de imagens nítidas.

 
Os histeroscópios sofreram importantes e melhores transformações com a invenção da luz fria por Fourestier (1952), e com a demonstração por Lindermann (1976) da inocuidade do CO2 e a possibilidade de manter fluxo e pressão intra-uterina em limites adequados.

 
Em 1979, Hamou cria o Microhisteroscópio com 04 mm de diâmetro e, logo em seguida, o “histeroflator”- aparelho específico para histeroscopia, com controle eletrônico da insuflação de CO2- e o “histeromat”- bomba de irrigação e aspiração do meio líquido de distensão da cavidade uterina - resolvendo de uma vez por todas as dificuldades no que se refere ao acesso ao útero e a distensão da cavidade uterina.

 
A partir de 1985, a histeroscopia difundiu-se por todo o mundo e, na Bahia, teve o seu início em 1987, sendo o Hospital São Rafael o pioneiro em nosso Estado e um dos primeiros do Brasil a montar uma Unidade de Histeroscopia.

 
Em 1997, o Itaigara Memorial Hospital Dia coloca à disposição dos Histeroscopistas baianos todo o instrumental e equipamentos necessários para a realização dessa técnica, ampliando ainda mais a equipe de ginecologistas interessados na endoscopia uterina e possibilitando a atuação dos mesmos, já que o investimento individual é, muitas vezes, inviável, pelo seu alto custo. Em 1999, criamos ali o Clube do Histeroscópio, com a finalidade de atualização científica e troca de experiências.

 
Atualmente contamos com instrumentais e equipamentos de última geração como: ópticas de fino calibre (2.0 mm, 2.9mm e 4.0 mm), microcâmeras digitais com sistemas de vídeo, ressectoscópios, camisas operatórias de Bettocchi, pinças e tesouras endoscópicas, além do “Versapoint” (fonte de corrente bipolar) e seus eletrodos especiais, permitindo a utilização do soro fisiológico como meio de distensão da cavidade uterina nas histeroscopias cirúrgicas, diminuindo a incidência de complicações decorrentes dos outros meios líquidos, além de possibilitar uma melhor qualidade no corte do tecido uterino e, conseqüentemente, uma melhor avaliação anatomopatológica.

Hoje a Bahia registra um grande número de histeroscopistas, alguns desses, conhecidos internacionalmente por suas publicações e participações em congressos.

É uma grande satisfação pessoal poder ver o crescimento e a difusão dessa técnica a que tenho me dedicado há 20 anos!

 

 

INDICAÇÕES DA HISTEROCOPIA:

 


A histeroscopia está indicada em todas as circunstâncias clínicas nas quais a observação da cavidade uterina possa trazer subsídios para um diagnóstico preciso e uma correta orientação terapêutica.

A histeroscopia diagnóstica pode ser realizada de forma ambulatorial e a histeroscopia cirúrgica em regime de Hospital Dia.

 
As indicações mais freqüentes da histeroscopia são:

- Sangramento Uterino Anormal (SUA).

- Espessamento endometrial diagnosticado na ultra-sonografia transvaginal.

- Infertilidade.


A indicação mais importante da histeroscopia é a detecção precoce da neoplasia uterina.

No que se refere ao SUA podemos estar diante de pólipos endometriais e/ou endocervicais, miomas, suspeita de hiperplasia e disfunção endometrial, atrofia, endometrites e neoplasia endometrial, além de causas mecânicas como a presença da cicatriz de cesárea.

Na avaliação das pacientes com infertilidade, temos as seguintes indicações específicas:

Sinéquias, malformações uterinas, pólipos, miomas, alterações endometriais e a avaliação pré-fertilização assistida.

 

OUTRAS INDICAÇÕES DA HISTEROSCOPIA:

 


-Identificação e remoção de restos ovulares

-Diagnóstico e seguimento da doença trofoblástica gestacional

- Indicação e controle da cirurgia histeroscópica (pré-operatório e pós-operatório)

- Diagnóstico diferencial de patologia da cavidade uterina suspeitada por outras técnicas de exames

- Avaliação endometrial em pacientes usuárias de terapia hormonal e outras drogas como o tamoxifeno

- Seguimento da hiperplasia endometrial

 

INDICAÇÕES DA CIRURGIA HISTEROSCÓPICA:

 


- Biópsia dirigida

- Lise de sinéquias

- Remoção de corpo estranho (DIU retido, fragmentos de ossificação endometrial, fios de sutura)

- Polipectomia (endometrial e endocervical)

- Miomectomia

- Lise de septos

- Ablação endometrial

- Cirurgias combinadas

 
Bibliografia:

Hamou J. Hysteroscopy and Microcolpohysteroscopy, Text and Atlas. Connecticut:Appleton & Lange, 1991. p. 1-9.

Crispi C. Tratado de Vídeoendoscopia Ginecológica, editora Atheneu, 2003. p. 721-735.

Machado S. Indicações e contra-indicações da Histeroscopia Diagnóstica – Imagens Normais. Tratado de Ginecologia – FEBRASGO, editora RevinteR, 2000. Vol. II, p 1473-1475.

 

Simone Borges Machado
Coordenadora da Unidade de Histeroscopia do Hospital São Rafael
Coordenadora do Clube do Histeroscópio - Itaigara Memorial Hospital Dia
Membro do Comitê de Histeroscopia da FEBRASGO